E mais uma vez Crepúsculo dos deuses…

 

 

Adoro (re)ver clássicos em tela grande. Acho que a presença do público [ouvir suas risadas, seus gemidos e pequenos sons e perceber suas reações] e a magia de estar dentro de um cinema mudam muito a perspectiva que nós temos a respeito dos filmes, em geral.
Por causa disso, sábado, 4 de junho, acordei cedo, me dirigi ao Teatro Nelson Rodrigues e revi pela 353463574756876 vez Crepúsculo dos deuses. Ele é parte da mostra História da Filosofia em mais 40 filmes.

Norma Desmond e Joe Gillis celebram o reveillon.

O filme conta a história da relação de uma atriz do cinema mudo, esquecida por seus fãs e pela arte com a qual ela tanto colaborou, com um roteirista fracassado. Ela anseia um retorno, ele deseja fugir de credores.

Devo dizer que Norma Desmond, minha personagem favorita em TODO o cinema [coisas que só Billy Wilder faz por você], nunca me pareceu tão alucinada, tão digna de pena e tão fascinante como desta vez. O filme me pareceu ainda mais cru e amargo. E é ainda mais irônico quando o personagem de William Holden [lindo como em nenhum outro filme] diz, no fim, que a vida acabou tendo piedade de Norma Desmond e as câmeras se voltam para ela. Mas, o que ele não contava [nem nós] é que na última cena, cruelmente, a câmera embaçaria, o filme terminaria e ela não teria o seu tão sonhado close-up. A única personagem que não consegue o que quer [Joe Gillis tem sua piscina e Max “dirige” a cena do auge da loucura de Norma].

E pela 353463574756876 vez, eu me apaixonei pelo filme. Como cada uma das outras vezes.

“They took the idols and smashed them, the Fairbankses, the Gilberts, the Valentinos! And who’ve we got now? Some nobodies!”

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O mistério do samba [2008]

Peço licença para postar mais um filme que não é clássico. Mas é um dos documentários que mais gosto na vida.

“Se eu for falar da Portela, hoje eu não vou terminar…”

Desde quando consigo me lembrar, eu gosto de samba. E me felicita muito vê-lo lembrado em tantas produções do cinema nacional recente. Seja em cinebiografias como Noel, poeta da Vila ou em documentários como Cartola – Música para os olhos, mesmo que em algumas vezes essas obras não façam jus aos seus homenageados. De todas essas produções, nenhuma me toca tanto e tão profundamente como O mistério do samba, documentário de Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor.

O mistério do samba é filho direto do Tudo Azul, álbum que começou a ser produzido em 1998 por Marisa Monte [também produtora do filme] e lançado em 2000, no qual a cantora garimpou sambas pouco conhecidos ou esquecidos dos compositores da Portela. Ao contrário do que diz o título, o documentário não pretende desvendar o mistério deste que é o mais brasileiro dos ritmos [ainda bem!], tampouco se pretende biográfico. É, na verdade, um filme-homenagem. Uma singela declaração de amor àquelas pessoas simples do bairro de Oswaldo Cruz. O filme cumpre seu papel de eternizá-las através de sua música e das histórias riquíssimas que elas tem pra contar.

Marisa Monte, juntamente com Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho, ambos em menor escala, tem a função de nos fazer adentrar e nos familiarizar com este mundo de poesia, da música feita com simplicidade, de quintais e janelas dando pra rua, do trem que passa, de rodas com cerveja e miudinho. Um mundo azul e branco, cores da Portela e presente nas casas, nas roupas, nos chapéus e no coração de Oswaldo Cruz. E é perceptível o genuíno carinho e admiração que Marisa tem pela Velha Guarda.

Estão todos lá: Monarco, Casquinha, Casemiro da Cuíca, Argemiro Patrocínio e Jair do Cavaquinho, estes dois últimos falecidos durante as filmagens que duraram dez anos, Tia Eunice, Tia Doca, Tica Surica e Áurea Maria. E em espírito, Paulo da Portela, Manacéa, Mijinha, Alberto Lonato e tantos outros. E nós ficamos a nos perguntar como é possível existir tanta beleza e profundidade nestas canções nascidas da melancolia, da simplicidade, da alegria, do amor, da dor e da tristeza, porque “sem tristeza não tem samba bom”. E descobrimos que são estas pessoas que salvam o samba e por ele são salvas. E não há como não nos apaixonarmos por elas depois de conhecê-las.

Marisa Monte, já quase no fim do filme, diz que o fez porque tinha certeza de que a vida seria melhor com aqueles sambas. E ela estava com toda razão.

“Vejam que coisa tão bela, o passado e o presente da nossa querida Portela.”

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